domingo, 17 de junho de 2012


Tecnologias na Sala de Aula

Uso de tecnologia em escolas depende do conteúdo disponível


Brasília – Depois de prefeituras e governos estaduais receberem ou adquirirem cerca de 574 mil laptops por meio do Programa Um Computador por Aluno (UCA), o Ministério da Educação (MEC) acena com a possibilidade de inserir ostablets nas salas de aulas das escolas públicas brasileiras. Especialistas concordam que o sucesso do uso das tecnologias em educação não depende apenas da plataforma utilizada, mas sim da forma como a escola vai inserir essas ferramentas no aprendizado e também dos conteúdos digitais disponíveis.
A diretora da Fundação Pensamento Digital, Marta Voeclker, aponta que a escola pode “mudar de paradigma” a partir da tecnologia. Ela ressalta que o uso das máquinas – seja um computador, laptop ou tablet – pode transformar a lógica do aprendizado. Alunos deixam de ser meros “recebedores” de conteúdo e podem evoluir para autores. “A tecnologia nos ajuda a sair de uma educação por instrução e memorização para uma educação de construção e colaboração. Uma tecnologia que a criança use a imagem, escreva e formalize ali seu entendimento. Se tenta mudar a escola há cem anos e a tecnologia vem ajudar nisso”, explica.
Sob esse ponto de vista, Marta defende que o “hardware” não importa tanto. O essencial é ter à disposição ferramentas que possibilitem um uso educacional de laptops e tablets para que as máquinas não sejam meras reprodutoras dos conteúdos que já estão nos livros didáticos. “A escola vai aos poucos se tornando digital, os professores estão fazendo blogs, a gente se apropria das redes sociais, mas não há algo pensado para a escola que precisa de uma transição para a época digital”, aponta.
A especialista no uso das tecnologias da educação ressalta, entretanto, que essa transição da escola analógica para a digital precisar ser feita aos poucos. Leva tempo e exige uma reflexão da sociedade a respeito do que se espera da escola. “Quando o educador começa a trabalhar esses projetos, chega um momento que o sistema não reconhece o que ele está fazendo. Isto está acontecendo em todo o mundo. No Brasil, nós temos um ambiente mais propício à mudança, até do ponto de vista da legislação. Mas é uma mudança grande porque aí chegam as avaliações que hoje ainda se baseiam muito na memorização”, diz Marta. “O que precisava é de um pensamento estratégico dentro do governo para pensar esse assunto a longo prazo”, completa.
Para Ilona Becskeházy, diretora da Fundação Lemann, a primeira e principal estratégia é buscar conteúdos pedagógicos que possam ser acessados por meio dos equipamentos. “Se você não selecionar conteúdo de alto padrão, tanto faz se é papel, lousa, ou tablet. E isto a gente não faz no Brasil. A lógica deveria ser: primeiro você busca o conteúdo e depois você procura como é a melhor maneira de distribui-lo. Se ele for bom pode ser até um mimeógrafo”, critica.
Em 2012, pela primeira vez, o edital publicado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a compra dos livros didáticos que são distribuídos às escolas públicas do país inclui os chamados “objetos educacionais complementares aos livros didáticos”. Isto significa que as editoras poderão apresentar conteúdos em formato digital que, se aprovados, poderão ser adquiridos pelo governo para uso na rede pública.
Nos diferentes cenários da sociedade atual, a relação entre cultura e educação sugere novas formas de interação entre pessoas e conhecimento. Tais relações têm sido cada vez mais mediadas pelas tecnologias e, consequentemente, novas linguagens estão sendo construídas e que nos levam à pergunta: o que é estar alfabetizado hoje?
Além de dominar a leitura e a escrita, é necessário pensar nas possibilidades de ver, interpretar e problematizar de maneira crítica as imagens da TV, dos filmes, das publicidades, das notícias e dos jornais - saber usar o computador, operar as diversas funções do celular, navegar pelas redes da Internet de forma segura, e compartilhar conteúdos de forma responsável. Nesse universo, a mediação educativa é um dos grandes desafios da mídia-educação.
Sabemos que as mídias hoje são elementos importantes de práticas culturais das pessoas e asseguram formas de socialização e transmissão simbólica; por isso, entender a mídia como cultura e mediação implica reconhecer certas tensões entre o tecnológico, o industrial e o social, como destaca Roger Silverstone, em seu livro Por que estudar a mídia.

Antônio More/Gazeta do Povo
Antônio More/Gazeta do Povo /
Nesse quadro, as mídias clássicas e digitais e suas tecnologias da informação e comunicação não podem mais estar excluídas das experiências escolares de ensino-aprendizagem. É uma condição da cidadania - seja ela de pertencimento, seja instrumental, diz Rivoltella. E a mídia-educação significa uma possibilidade de educar para/sobre as mídias, com as mídias e através das mídias, a partir de uma abordagem crítica-reflexiva, metodológico-instrumental e expressivo-produtiva. Ou seja, precisamos trabalhar educativamente com esse universo midiático de forma crítica, aprender a operar com seus diferentes códigos, a nos expressar utilizando as múltiplas linguagens e compartilhar tais produções de forma responsável.
Nesse sentido, a mídia-educação pode contribuir com uma educação para a cidadania capacitando crianças, jovens e professores para uma apropriação ativa das mídias. Isso significa ir além, construir uma atitude mais crítica em relação aos programas que assistem, aos sites em que navegam e às interações que estabelecem nas redes, no sentido de problematizar a cultura midiática que consomem, produzem e compartilham.
Para tal, precisamos nos perguntar em que medida, nós, adultos (pais, mães e professores) estamos alfabetizados nessas linguagens e de que forma possibilitamos as mediações significativas nesse contexto cultural em geral, e midiático e tecnológico em particular. 
Como convivemos com certas mídias há muito tempo, nem sempre alcançamos um distanciamento crítico em relação a nossas experiências. Aliás, diversas pesquisas apontam usos das mídias na escola de forma questionável do ponto de vista da mídia-educação, alternando-se entre resistência, negatividade e permissividade. Em vez de desprezar o que crianças e jovens fazem com as mídias, poderíamos tomá-los como objetos de estudo, buscar entender os usos e o que os possíveis aprendizados com as mídias. Isso poderia ser feito, por exemplo, por meio da problematização de suas formas de consumo, discussão de questões ligadas à formação humana, às produções culturais e aos espaços sociais destinados à infância, à adolescência e à juventude de hoje.
Algumas pesquisas demonstram aspectos de tais perspectivas, seja da mídia-educação nas escolas, seja das relações que crianças e jovens estabelecem com diferentes mídias e tecnologias na vida cotidiana. Cenário de uma próxima conversa...

 http://envolverde.com.br/educacao/tecnologia-educacao/uso-de-tecnologia-em-escolas-depende-menos-de-plataforma-e-mais-de-conteudo-disponivel-defendem-especialistas/

Ingrid Nascimento Da Silva
Curso De Pedagogia

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